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XXIX Ciclo de Estudos Estratégicos - Os Desafios do Sistema Internacional Contemporâneo para a Defesa

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A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o Instituto Militar de Engenharia e as ações para a integração das linhas de ensino militar bélica e científico-tecnológica

Publicado: Sexta, 19 de Abril de 2024, 00h02 | Última atualização em Sexta, 19 de Abril de 2024, 03h02 | Acessos: 293

 

Mario Eduardo Moura Sassone
 General de Brigada. Comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

O Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) compartilham um dos sítios mais concorridos do Rio de Janeiro - o sopé do Pão de Açúcar, na Praia Vermelha - e são unidas pela praça Gen Tibúrcio. Seria o nome do general uma escolha aleatória para batizar a praça? Antônio Tibúrcio Ferreira de Sousa foi um general brasileiro que se tornou notório por suas ações de bravura na guerra da Tríplice Aliança e transitou ao longo de sua carreira pelas vertentes dos tarimbeiros e dos bacharéis ao, por exemplo, comandar o Batalhão de Voluntários da Pátria Cearense e ser o Inspetor de Fortificações do Amazonas. Portanto, não haveria personagem capaz de encarnar de forma tão evidente as vertentes combatente e científico-tecnológica e de simbolizar a necessidade de estreitamento da atividade acadêmica entre as duas Escolas.

Em um passado que já pode ser considerado distante, a interação entre as instituições de ensino se resumia a visitas que eram realizadas pelos alunos da ECEME ao IME e à passagem das futuras lideranças do Quadro de Engenheiros Militares pela ECEME para, após difícil processo seletivo, frequentar o Curso de Direção para Engenheiros Militares (CDEM) e, como efeito secundário, mas bastante relevante, conviver com os alunos combatentes do Curso de Comando e Estado-Maior (CCEM) pelo curto período de dez meses. Alguns poucos Engenheiros Militares ainda tinham a oportunidade de retornar à ECEME para frequentar o Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército (CPEAEx), credenciando-os ao assessoramento de alto nível.

Com a criação do Instituto Meira Mattos, em 2012, e, na sequência, o reconhecimento dos cursos de mestrado e doutorado em Ciências Militares da ECEME pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as duas Instituições de Ensino Superior têm intensificado bastante as parcerias e cooperações em diversas áreas. Interações mais simples já são numerosas, pois docentes do IME a da ECEME já participam de projetos acadêmicos em conjunto, co-orientam teses e dissertações e participam de bancas de mestrado e doutorado de alunos dos dois estabelecimentos de ensino.

Outras iniciativas também merecem destaque, como por exemplo, a construção de um grupo de pesquisa sobre “Guerra do Futuro, Inovação e Indústria de Defesa”, já em funcionamento com professores do Instituto Meira Mattos e do IME, bem como a construção e divulgação da rede de pesquisa “Inteligência Artificial e Computação Quântica em proveito das Capacidades Militares”, reunindo cerca de 90 pesquisadores, 43 instituições de ensino e 23 programas de pós-graduação, sendo 8 desses programas com recomendação nota 7 da CAPES.

Recentemente, os dois estabelecimentos de ensino propuseram ao Departamento de Educação e Cultura do Exército a criação do Curso lato sensu de Gestão da Inovação, com coordenação do IME e vice-coordenação da ECEME, de modo a integrar discentes das linhas de ensino militar bélico e científico-tecnológico. A finalidade desse curso é capacitar oficiais aperfeiçoados a atuarem como vetores na gestão da inovação, contribuindo para a melhoria dos processos que envolvem o ciclo de vida dos produtos de defesa, a evolução dos materiais de emprego militar e a inovação doutrinária no âmbito da Força Terrestre.

A próxima ação entre as duas escolas é a integração do IME ao Observatório Militar da Praia Vermelha. A missão desse Observatório é realizar estudos políticos e estratégicos de interesse da área militar, em particular do Exército, bem como de contribuir para o incremento e a difusão da mentalidade de Defesa junto à sociedade, valendo-se das diversas metodologias empregadas na ECEME, dando um tratamento multidisciplinar às questões analisadas.

O IME passará a coordenar a área temática “Sistema de Armas”, que passará a ser denominada “Ciência, Tecnologia e Inovação para a Defesa, Desenvolvimento e Segurança Nacional”. O coordenador adjunto será um professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Militares da ECEME, com estudos vocacionados para discutir a expressão científico-tecnológica e os seus reflexos na expressão militar do poder nacional.

Esse empreendimento tem excepcional potencial de contribuir para os estudos voltados para a Guerra do Futuro, pela maior sinergia entre os engenheiros militares e os combatentes, por intermédio da realização de estudos e pesquisas de alto nível em questões políticas e estratégicas de defesa, segurança, gestão e inovação, possibilitando a produção conjunta de artigos científicos, de artigos de opinião e papers, entre outros produtos.

Por fim, como foi possível verificar ao longo desse breve informe, o Observatório Militar da Praia Vermelha se tornará mais uma ferramenta de integração entre o Instituto Militar de Engenharia e a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, pois os elos que estão sendo estabelecidos entre os alunos e os docentes dos Estabelecimentos de Ensino vão resultar em ligações duradouras, na melhoria do conhecimento mútuo e no aprimoramento dos recursos humanos e do conhecimento que serão entregues ao Exército.

Instituto Militar de Engenharia: seja bem-vindo ao Observatório Militar da Praia Vermelha!

 

 

Rio de Janeiro - RJ, 18 de abril 2024.


Como citar este documento:
Sassone, Mario Eduardo Moura. A Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o Instituto Militar de Engenharia e as ações para a integração das linhas de ensino militar bélica e científico-tecnológica. Observatório Militar da Praia Vermelha. ECEME: Rio de Janeiro. 2024.  

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